Este blog tem um editor que funciona no navegador do celular, então a pergunta veio sozinha: dá para escrever um texto inteiro só por ele, sem abrir o computador nenhuma vez?
Fiz o teste. A resposta curta é que dá, mas não vale a pena para tudo. O celular é ótimo em algumas partes do trabalho e atrapalha em outras, e o teste serviu justamente para separar uma coisa da outra.
Como foi o teste
A regra era simples: do primeiro título até o texto pronto, tudo pelo celular. O caminho foi este:
- Abrir o Pages CMS no navegador do celular.
- Criar um texto novo em Artigos.
- Preencher o formulário: título, data, resumo e tags.
- Escrever o corpo no campo Texto, em Markdown.
- Salvar com Rascunho marcado, várias vezes ao longo do caminho.
Onde o celular foi bem
Anotar a ideia na hora. É a maior vantagem. A ideia aparece no ônibus ou na fila, e em dois minutos ela vira um rascunho com título e três frases. No computador ela teria que esperar, e muitas vezes se perderia.
O formulário. Título, data, resumo e tags são campos normais, do tamanho certo para um dedo. Não precisa lembrar da sintaxe do frontmatter.
Texto corrido. Parágrafos sem código, como este, saem bem. O corretor do teclado ajuda mais do que atrapalha, e escrever em blocos curtos combina com a tela pequena.
Correções rápidas. Achar um erro de digitação num texto publicado e corrigir na hora, sem esperar chegar em casa, foi a parte mais útil no dia a dia.
Onde travou
Código. A crase, que abre e fecha todo bloco de código, mora escondida no teclado do celular1. Indentar com espaços é pior ainda. Um bloco de dez linhas virou um exercício de paciência, e eu não tinha como testar se o código funcionava.
Ver como ficou. Um rascunho não aparece no site, e o editor mostra o Markdown cru. Pelo celular, não há como saber se a tabela fechou certo ou se a imagem está no lugar antes de publicar.
Imagens. O upload funciona, mas recortar uma captura de tela, diminuir o tamanho e escrever um bom texto alternativo é bem mais confortável numa tela grande.
Revisar um texto longo. Ler dez minutos de texto numa tela pequena, mudar uma seção de lugar e conferir se o fim conversa com o começo cansa. A revisão final pede espaço.
O que fica com cada um
| Tarefa | Celular | Computador |
|---|---|---|
| Anotar uma ideia | ótimo | bom |
| Escrever o rascunho | bom | bom |
| TIL curto, sem código | bom | bom |
| Blocos de código | ruim | ótimo |
| Imagens | razoável | ótimo |
| Ver como vai ficar | não dá | ótimo |
| Revisão final | razoável | ótimo |
| Corrigir um erro publicado | ótimo | ótimo |
O fluxo que ficou depois do teste:
- No celular: a ideia vira rascunho na hora em que aparece.
- No computador: o rascunho ganha código, imagens e a revisão final, com o texto aberto do jeito que vai ficar.
- De qualquer um: desmarcar Rascunho e publicar.
Valeu o teste?
Valeu, mas não pelo motivo que eu esperava. Eu queria descobrir se o celular substitui o computador, e ele não substitui. O que descobri é que ele resolve o pedaço mais frágil de escrever: não deixar a ideia ir embora. O resto pode esperar até eu sentar na frente de uma tela maior.
Notas de rodapé
-
Na maioria dos teclados de celular, a crase fica na segunda ou na terceira página de símbolos. Em alguns, aparece segurando a tecla do apóstrofo. ↩
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