Carlos Eduardo

Escrevendo um post só pelo celular

por Carlos Eduardo Ferreira

Fiz o teste de escrever um texto do começo ao fim sem abrir o computador. O celular dá conta de boa parte do trabalho, mas não de todo, e saber onde cada um ajuda mudou o meu jeito de escrever.

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Este blog tem um editor que funciona no navegador do celular, então a pergunta veio sozinha: dá para escrever um texto inteiro só por ele, sem abrir o computador nenhuma vez?

Fiz o teste. A resposta curta é que dá, mas não vale a pena para tudo. O celular é ótimo em algumas partes do trabalho e atrapalha em outras, e o teste serviu justamente para separar uma coisa da outra.

Como foi o teste

A regra era simples: do primeiro título até o texto pronto, tudo pelo celular. O caminho foi este:

  1. Abrir o Pages CMS no navegador do celular.
  2. Criar um texto novo em Artigos.
  3. Preencher o formulário: título, data, resumo e tags.
  4. Escrever o corpo no campo Texto, em Markdown.
  5. Salvar com Rascunho marcado, várias vezes ao longo do caminho.

Onde o celular foi bem

Anotar a ideia na hora. É a maior vantagem. A ideia aparece no ônibus ou na fila, e em dois minutos ela vira um rascunho com título e três frases. No computador ela teria que esperar, e muitas vezes se perderia.

O formulário. Título, data, resumo e tags são campos normais, do tamanho certo para um dedo. Não precisa lembrar da sintaxe do frontmatter.

Texto corrido. Parágrafos sem código, como este, saem bem. O corretor do teclado ajuda mais do que atrapalha, e escrever em blocos curtos combina com a tela pequena.

Correções rápidas. Achar um erro de digitação num texto publicado e corrigir na hora, sem esperar chegar em casa, foi a parte mais útil no dia a dia.

Onde travou

Código. A crase, que abre e fecha todo bloco de código, mora escondida no teclado do celular1. Indentar com espaços é pior ainda. Um bloco de dez linhas virou um exercício de paciência, e eu não tinha como testar se o código funcionava.

Ver como ficou. Um rascunho não aparece no site, e o editor mostra o Markdown cru. Pelo celular, não há como saber se a tabela fechou certo ou se a imagem está no lugar antes de publicar.

Imagens. O upload funciona, mas recortar uma captura de tela, diminuir o tamanho e escrever um bom texto alternativo é bem mais confortável numa tela grande.

Revisar um texto longo. Ler dez minutos de texto numa tela pequena, mudar uma seção de lugar e conferir se o fim conversa com o começo cansa. A revisão final pede espaço.

O que fica com cada um

Duas colunas. Celular: ideias e títulos, rascunho, TIL curto, correções. Computador: código, imagens, pré-visualizar, revisão final.
A divisão que saiu do teste.
TarefaCelularComputador
Anotar uma ideiaótimobom
Escrever o rascunhobombom
TIL curto, sem códigobombom
Blocos de códigoruimótimo
Imagensrazoávelótimo
Ver como vai ficarnão dáótimo
Revisão finalrazoávelótimo
Corrigir um erro publicadoótimoótimo

O fluxo que ficou depois do teste:

  1. No celular: a ideia vira rascunho na hora em que aparece.
  2. No computador: o rascunho ganha código, imagens e a revisão final, com o texto aberto do jeito que vai ficar.
  3. De qualquer um: desmarcar Rascunho e publicar.

Valeu o teste?

Valeu, mas não pelo motivo que eu esperava. Eu queria descobrir se o celular substitui o computador, e ele não substitui. O que descobri é que ele resolve o pedaço mais frágil de escrever: não deixar a ideia ir embora. O resto pode esperar até eu sentar na frente de uma tela maior.

Notas de rodapé

  1. Na maioria dos teclados de celular, a crase fica na segunda ou na terceira página de símbolos. Em alguns, aparece segurando a tecla do apóstrofo. ↩

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